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terça-feira, 11 de março de 2014

Um cozido em Vilarinho Seco

Num dos fins de semana passados, juntamo-nos a um grupo de amigos, com o pretexto de dar um passeio de Todo-o-Terreno e tirar (ou pôr?!) a poeira do 4x4. O passeio acabou à mesa de um daqueles restaurantes perdidos no meio do nada, mas que vale a pena fazer km's para lá comer, a Casa do Pedro.

Algumas das paisagens incríveis que vimos...






No final do longo mas aprazível  passeio por terras de Bastos e de Barroso aonde a natureza nos continua a surpreender com paisagens de tirar o folego , lá encontramos a Casa do Pedro, em Vilarinho Seco.

Finalmente a chegada a Vilarinho Seco!

Quando aqui se chega, começa-se logo por admirar esta pequena aldeia, perdida no topo das serras, com o casario em pedra, também ele testemunho de tempos passados.

O largo da aldeia, onde não podia faltar o tanque com água fresca a correr.

A capela da aldeia, no centro do largo.

A entrada da casa do Pedro (lado esquerdo) e da Adega Palheiro (em frente) onde se toma o cafe/digestivo.

Ao contrário do que seria de esperar, isto não faz de Vilarinho Seco uma aldeia isolada do resto do mundo. A Casa do Pedro é destino de muitos apreciadores de boa comida, mesmo que venham de terras longínquas, o que acaba por trazer vida à aldeia.


E o que leva as pessoas a fazerem uma viagem tão longa?? O cozido à portuguesa do Pedro!
Apesar do sustento da maior parte dos habitantes desta aldeia ser a produção de carne barrosã (cada casa mantém uma "côrte" ou "loja" no rés-do-chão para guardar o seu gado), o cozido do Pedro é rico em carnes fumadas, com que juntamente é cozida a couve tronchuda. Tudo isto acompanhado de batata cozida e um arrozinho bem apetitoso.


A Casa do Pedro é uma casa típica da aldeia, em pedra, onde é possível encontrar verdadeiras relíquias espalhadas por todos os recantos!


O agradável interior onde o nosso grupo almoçou.




Mas antes do cozido há que amenizar a larica com umas entradas bem típicas, como a alheira, o chouriço, presunto, broa, etc. Para tudo escorregar melhor, há boa pinga da casa, mas também outros vinhos selecionados.

As sobremesas que nos dispuseram nesse dia foram também as típicas rabanadas acompanhadas de aletria ou então um delicioso leite-creme, com uma película bem crocante de açúcar queimado por cima.

Saímos de lá a rebolar, mas uma refeição destas não termina sem um café e/ou um digestivo, mas para isso temos de atravessar a rua e ir tomá-lo a uma antiga cabana ao lado da casa principal, também muito castiça, chamada agora de Adega Regional o Palheiro.

O interior da Adega.
Para ajudar o organismo a começar o (longo) processo de digestão, não há nada melhor do que uma caminhada pela aldeia, que é muito fotogénica, para conhecer melhor também as suas gentes e seus hábitos. 

Ao fim da tarde de um dia de Inverno é curioso observar o recolher do gado da aldeia, que anda disperso pelas serras ao longo do dia. Aqui ainda se cumprem antigos costumes, em cada dia ou semana calha a um diferente habitante da aldeia acompanhar o gado de todos à serra. No regresso, a manada vai-se desmembrando à medida que passa pela rua principal da aldeia, e cada animal dirige-se sozinho ao seu  respetivo estábulo esperando pacientemente que o pastor lhes abra a porta.

Como tínhamos uma longa viagem pela frente, era tempo de nos fazermos à estrada, mas sem deixar de pensar "Até um dia destes, Pedro"!


Restaurante Casa do Pedro
Largo da Capela (CM 1035)
5460 Vilarinho Seco, Boticas
Tlf:  276 444 112
Nota: Só funciona por marcação!



P.S.: Obrigada Joaquim Alves pelas fotos, estás aprovado como meu repórter fotográfico! :)


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